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27/10/2026 às 09:58
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As urnas deram o recado: Flávio venceu na AMAI, mas Lula avançou onde poucos esperavam

Morde & Assopra
Por: Flavio Carvalho
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Na política, nem sempre basta olhar para quem recebeu mais votos. Muitas vezes, o recado mais importante das urnas está nos números que passam despercebidos.

E foi justamente isso que aconteceu nos 14 municípios da AMAI, no Oeste catarinense, na disputa presidencial de 2026.

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Flávio Bolsonaro manteve uma vantagem confortável sobre Lula, liderando a votação em 12 dos 14 municípios da região. Até aí, nenhuma grande surpresa. O que chama a atenção, porém, é o comportamento do eleitor entre o primeiro e o segundo turno.

Enquanto Flávio Bolsonaro conquistou pouco mais de 3,3 mil votos adicionais, Lula ampliou sua votação em quase 6,5 mil. Ou seja, o petista cresceu praticamente o dobro do adversário.

E esse é um detalhe que merece atenção, principalmente daqueles que insistem em analisar uma eleição apenas pelo placar final.

Em Xanxerê, maior colégio eleitoral da AMAI, Lula conquistou 1.913 votos a mais no segundo turno, enquanto Flávio cresceu 1.255. Em Xaxim, o petista também apresentou crescimento superior. O mesmo comportamento apareceu em Abelardo Luz, Bom Jesus, Faxinal dos Guedes e nos demais municípios da região.

Mais curioso ainda: em Entre Rios, um dos dois municípios onde Lula liderou, Flávio Bolsonaro chegou a perder votos entre os turnos.

O resultado é um alerta para quem acredita que a preferência eleitoral de uma região é definitiva ou que determinados territórios pertencem a algum partido ou liderança política.

A vantagem regional de Flávio Bolsonaro, que ultrapassava 24 mil votos no primeiro turno, terminou pouco acima dos 21 mil no segundo. Uma redução superior a 3,1 mil votos.

Isso não significa uma guinada política da AMAI, tampouco permite afirmar que eleitores de Flávio migraram diretamente para Lula. Mas demonstra que houve uma redistribuição importante dos votos na reta final da eleição.

E aqui está a reflexão: Flávio Bolsonaro manteve a maioria, mas Lula conseguiu encurtar a distância.

Para as lideranças políticas da região, especialmente aquelas que gostam de anunciar antecipadamente o comportamento do eleitorado, os números deveriam servir de lição.

O eleitor não é propriedade de prefeito, vereador, deputado ou partido. Apoios políticos podem influenciar uma disputa, mas não representam garantia de transferência de votos.

No fim das contas, a fotografia eleitoral da AMAI continua mostrando uma região majoritariamente favorável a Flávio Bolsonaro. Entretanto, quando observamos o movimento entre os dois turnos, percebemos que essa vantagem não ficou imune às mudanças.

Porque, na política, tão importante quanto saber quem ficou na frente é entender quem avançou, quem perdeu espaço e o que mudou pelo caminho.

E as urnas da AMAI deixaram claro: a maioria permaneceu com Flávio, mas Lula também saiu do segundo turno com números que merecem ser analisados.

Afinal, vencer no placar não significa necessariamente ter crescido mais durante o jogo.

 

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