O fenômeno El Niño que se desenvolve este ano promete ser o mais intenso já registrado, com potencial para provocar eventos meteorológicos extremos em várias regiões do planeta e transformar 2027 no ano mais quente da história. Somado ao aquecimento global causado pela atividade humana, o episódio oferece uma amostragem dos níveis de calor que podem se tornar habituais a partir do fim da década de 2030.
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O El Niño é uma variação natural do clima caracterizada pelo aquecimento da superfície no centro e no leste do Oceano Pacífico Equatorial. Ele ocorre quando os ventos de leste enfraquecem, permitindo o deslocamento de águas quentes. A permanência dessas temperaturas elevadas por meses altera a dinâmica de tempestades e repercute em toda a atmosfera terrestre, gerando seca em algumas áreas e chuvas intensas em outras.
Atualmente, as temperaturas da superfície do mar na região Niño 3.4 — área de referência no Pacífico — estão cerca de 2,6°C acima da média dos últimos 30 anos, segundo o painel Climate Brink, baseado em dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Projeções indicam que o pico pode atingir 3,9°C em novembro, superando a anomalia recorde de 3°C registrada em 2015.
Como os impactos do El Niño atingem o ápice no ano seguinte ao seu surgimento, os climatologistas Zeke Hausfather e Andrew Dessler estimam que o fenômeno causará um aumento médio de 0,3°C nas temperaturas globais em 2027. “É como uma prévia do futuro”, afirma Dessler, ressaltando que esse patamar de aquecimento contínuo não seria esperado antes de 2037.