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24/09/2026 às 17:44
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Na política, mudar de lado também exige explicação

Morde & Assopra
Por: Flavio Carvalho
Churrascaria Dário 232159

A reta final da campanha eleitoral em Santa Catarina trouxe à tona um movimento cada vez mais visível: prefeitos de partidos que estão oficialmente em outro campo político declarando apoio à reeleição do governador Jorginho Mello.

Diversas são as manifestações de prefeitos ligados ao MDB, PP, PSD e União Brasil em favor de Jorginho, mesmo com essas siglas integrando outra composição na disputa estadual.

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O fenômeno não é exatamente novidade na política brasileira. Prefeitos vivem uma realidade muito diferente daquela enfrentada pelas direções partidárias. São eles que precisam cobrar recursos para estradas, unidades de saúde, escolas, máquinas, pavimentações e tantas outras demandas que chegam diariamente à porta das prefeituras.

Por isso, existe um argumento legítimo: o interesse do município pode falar mais alto que a fidelidade partidária.

Em Campos Novos, por exemplo, o prefeito Dirceu Kaiper, do MDB, justificou seu apoio a Jorginho destacando investimentos estaduais e a parceria construída com o município. Em março, prefeitos do Progressistas também organizaram um movimento de apoio ao governador mesmo diante de divergências dentro do próprio partido.

Mas é justamente aí que surge a pergunta incômoda.

Até que ponto essas mudanças representam realmente o interesse das cidades e até que ponto refletem a velha capacidade da política de se aproximar de quem ocupa o poder?

Governadores controlam uma estrutura importante de investimentos, convênios e programas estaduais. Para um prefeito, manter diálogo com o Palácio pode ser administrativamente importante. Entretanto, diálogo institucional não deveria exigir necessariamente apoio eleitoral.

Um prefeito pode — e deve — manter boa relação com qualquer governador, independentemente de partido. Afinal, os recursos públicos não pertencem ao governante de plantão, mas à sociedade.

Por isso, quando uma liderança muda de posição durante uma eleição, o eleitor tem o direito de cobrar coerência e, principalmente, uma explicação clara.

Se mudou porque acredita que determinado projeto é melhor para sua cidade, que diga isso.

Se mudou porque investimentos realizados modificaram sua avaliação, que demonstre quais foram esses investimentos.

O problema não está necessariamente em mudar de opinião. Na democracia, rever posições é legítimo. O problema começa quando as convicções mudam com facilidade demais justamente quando o calendário eleitoral aperta.

No final, talvez essa seja a discussão mais importante: não saber apenas quem está apoiando quem, mas compreender por que está apoiando.

Porque a política municipal pode até exigir pragmatismo. Mas pragmatismo sem transparência corre o risco de parecer apenas conveniência.

 

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