Na reta final da eleição, João Rodrigues resolveu fazer aquilo que a política brasileira conhece bem: recalcular a rota.
Candidato ao Governo de Santa Catarina pelo PSD, João deixou de lado Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo próprio partido, e declarou apoio a Flávio Bolsonaro já no primeiro turno.
A justificativa foi simples: Caiado não decolou. Assim como o próprio João demonstra dificuldades para cair nas graças do eleitorado catarinense.
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Traduzindo para o idioma da campanha: enquanto havia esperança, havia fidelidade. Quando os números deixaram de ajudar, veio a mudança em busca de sobrevivência na corrida eleitoral.
O movimento tem lógica eleitoral. Santa Catarina possui um eleitorado fortemente identificado com Bolsonaro, e João precisa crescer justamente nesse campo.
O problema é que esse território já tem dono político bem definido nesta campanha.
Jorginho Mello construiu sua candidatura diretamente ligado ao PL e à família Bolsonaro. Flávio já demonstrou publicamente essa proximidade. Portanto, João agora vive uma situação curiosa: quer derrotar Jorginho no Estado, mas pede voto para o mesmo candidato presidencial apoiado por Jorginho.
É quase como tentar expulsar alguém da casa enquanto pede licença para usar a sala.
João tenta quebrar a exclusividade de Jorginho sobre o eleitor bolsonarista. É uma estratégia compreensível.
Mas também escancara uma pergunta incômoda:
Se Flávio Bolsonaro era a escolha certa, por que João esperou até a reta final para dizer isso?
E mais:
Caiado deixou de representar as ideias de João ou simplesmente deixou de representar votos?
Na política, ninguém é obrigado a permanecer preso a uma escolha.
Mas também não dá para pedir que o eleitor esqueça tudo o que foi dito até ontem.
No fim das contas, a decisão de João talvez diga menos sobre Flávio Bolsonaro e mais sobre a própria campanha do candidato do PSD.
Quando falta espaço político, procura-se espaço onde ainda há eleitor.
E quando a urna começa a se aproximar, ideologia, lealdade partidária e conveniência passam a disputar a mesma cadeira.
Na maioria das vezes, a conveniência senta primeiro.