O debate da ACAERT desta terça-feira (22) reuniu João Rodrigues, Gelson Merísio e Ralf Zimmer, mas boa parte das atenções acabou direcionada justamente a quem não estava lá: o governador Jorginho Mello, candidato à reeleição. A ausência foi explorada pelos adversários ao longo do encontro. Jorginho informou que reassumiu o governo para acompanhar as ações relacionadas às fortes chuvas que atingiram Santa Catarina.
Politicamente, a cadeira vazia produziu uma situação curiosa: o governo foi colocado no centro do debate, mas o governador não estava presente para responder diretamente às críticas.
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Saúde, infraestrutura, educação, prevenção às enchentes e a relação de Santa Catarina com Brasília estiveram entre os principais assuntos. João Rodrigues enfatizou filas na saúde e expansão da estrutura hospitalar; Merísio falou em planejamento, regionalização e políticas de Estado; Zimmer concentrou parte de seu discurso em mudanças na gestão pública, infraestrutura e educação.
Mas talvez tenha faltado justamente aquilo que torna um debate eleitoral mais revelador: o confronto direto entre quem administra e quem pretende administrar.
Sem Jorginho, os candidatos puderam questionar números, prioridades e decisões do atual governo, mas o eleitor ficou sem ouvir, naquele mesmo espaço, as respostas do governador. Isso não significa que sua ausência tenha sido politicamente certa ou errada — havia uma justificativa institucional apresentada em razão das chuvas —, mas significa que o debate perdeu uma oportunidade importante de contraditório.
E eleições deveriam ser exatamente isso: menos slogans e mais confronto de ideias, números, resultados e propostas.
No fim, os três candidatos presentes falaram. O governo foi muito citado. E, paradoxalmente, uma das presenças mais percebidas no debate foi justamente a ausência de Jorginho Mello.
A campanha segue. E, a poucos dias da eleição, o eleitor catarinense precisa de mais do que promessas: precisa de respostas.
Em política, cadeira vazia também comunica.
Se essa estratégia terá algum reflexo nas urnas, somente o eleitor dirá. Mas uma coisa o debate da ACAERT deixou evidente: nesta reta final, cada presença — e cada ausência — passa a fazer parte da disputa política.